HISTÓRIA DA MÚSICA

Música em diferentes Culturas

Músicas do mundo

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Música - fenômeno social em diferentes culturas

 

As práticas musicais estão intimamente vinculadas ao contexto cultural que as produziu. Cada cultura possui seus próprios parâmetros de criação musicais, adotando “idiomas” ou “dialetos” próprios. Há grande riqueza de abordagens estéticas e concepções do que é a música e do papel que ela pode e deve ter na sociedade. Entre as diferenças estão: a maior propensão ao humano ou ao sagrado; a música funcional em oposição à música como arte; a concepção teatral do concerto contra a participação festiva da música folclórica e muitas outras.

O mais famoso músico indiano de todos os tempos, Ravi Shankar, com sua sítara (sitar), (instrumento tradicional indiano que ajudou a difundir para o ocidente)

 

Ao abordar a música em diferentes grupos sociais, tendemos a agrupar, classificar e analisar tais linguagens musicais. Essas classificações se dão geralmente dentro de nossos próprios parâmetros de análise. Esse tipo de estudo da música está dentro da chamada “musicologia”, que possui muitos “ramos”. O estudo da música ocidental abrange a chamada música erudita (a grande tradição ocidental), a música popular em diferentes sociedades, as músicas tradicionais e a música experimental.

 

Desde o início do século XX, alguns musicólogos estabeleceram uma "antropologia musical", que procura mostrar que as obras musicais possuem significados sociais e culturais.  Ao apreciarmos uma obra musical “exótica, não podemos vivê-la e compreendê-la da mesma forma que os membros dos grupos humanos aos quais elas se destinam. Nos círculos acadêmicos, o termo original para estudos da música genérica foi "musicologia comparativa", que foi renomeada em meados do século XX para "etnomusicologia".

                                             Alfaias dos maracatus tradicionais

Para ilustrar a questão  do significado das obras musicais em diferentes culturas, o musicólogo Jean-Jacques Nattiez (um semiólogo da música)* cita uma história relatada pelo famoso linguista Roman Jakobson, um dos maiores linguistas do século XX e pioneiro da análise estrutural da linguagem, da poesia e da arte:

Um indígena africano toca uma melodia em sua flauta de bambu. O músico europeu terá muito trabalho para imitar fielmente a melodia exótica, mas quando ele consegue enfim determinar as alturas dos sons, ele está certo de ter reproduzido fielmente a peça de música africana. Mas o indígena não está de acordo, pois o europeu não prestou atenção suficiente ao timbre dos sons. Então o indígena toca a mesma ária em outra flauta. O europeu pensa que se trata de uma outra melodia, porque as alturas dos sons mudaram completamente em razão da construção do outro instrumento, mas o indígena jura que é a mesma ária. A diferença provém de que o mais importante para o indígena é o timbre, enquanto que para o europeu é a altura do som. O importante em música não é o dado natural, não são os sons tais como são realizados, mas como são intencionados. O indígena e o europeu ouvem o mesmo som, mas ele tem um valor totalmente diferente para cada um, porque as concepções derivam de dois sistemas musicais inteiramente diferentes; o som em música funciona como elemento de um sistema. As realizações podem ser múltiplas, o acústico pode determiná-las exatamente, mas o essencial em música é que a peça possa ser reconhecida como idêntica”. — Nattiez

* Semiologia da música: ramo da musicologia que analisa todos os aspectos que nos permitem entender um trecho musical na sua totalidade, desde os processos de criação e interpretação de uma obra, até os de percepção, passando pela estruturação interna de uma obra, a partir da análise de sua partitura ou de uma gravação.

Música: linguagem universal ?

 

O professor de literatura e crítico musical J. Jota de Moraes nos oferece algumas reflexões a respeito do fenômeno musical. Em seu livro O que é Música? (Editora Brasiliense, 1983) destaca a importância de entendermos a música como um fenômeno universal, ressaltando no entanto que a música não é uma linguagem universal: 

Parece existir toda uma série enorme de mal-entendidos em torno do lugar-comum que afirma ser a música uma linguagem universal, passível de ser compreendida por todos. “Fenômeno universal”- está claro que sim; mas “linguagem universal”- até que ponto?

Certo: ao que tudo indica, todos os povos do planeta desenvolvem manifestações sonoras. Dos povos que ainda se encontram em estágio “primitivo”- entre os quais ela continua a fazer parte da magia – às civilizações tecnicamente desenvolvidas, nas quais a música chega até mesmo a possuir valor de mercadoria, de lucro”[...]

Contudo, se essa tendência a expressar-se através dos sons dá mostras de ser algo inerente ao ser humano, ela se concretiza de maneira tão diferente em cada comunidade, dá-se de forma tão particular em cada cultura que é muito difícil acreditar que cada uma de suas manifestações possua um sentido universal. [...]

Talvez por isso, fosse menos absurdo dizer que a linguagem musical só exista mesmo concretizada através de “línguas” particulares ou de “falas” determinadas; e que essas manifestações podem até, em parte, ser compreendidas; mas nunca vivenciadas em alguns de seus elementos de base por aqueles que não pertençam à cultura que as gerou. E é também possível que seja pelo fato de sentirmos intuitivamente uma certa distância  em relação a elas, por não pertencerem à nossa cultura que as chamamos de “exóticas”...

 

O texto de J. Jota Moraes nos faz refletir sobre a diversidade de músicas existentes em todo o planeta. E nos faz perceber que através do estudo da diversidade musical podemos nos tornar mais tolerantes e abertos às outras culturas existentes dentro ou fora de nosso país, região, camada social ou como sua geração costuma dizer, de nossa “turma”...

PARA SABER MAIS

Blog "Overmundo"

Artigo sobre o tema.

site

Verbete no Wikipedia.

Site da FUNAI

Informações sobre a música dos povos indígenas brasileiros.

Site

Informações sobre o Jongo.

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